Bolsonarismos e a desonra ao ventre

joãobattista.eco
By joãobattista.eco novembro 1, 2026 10:53

Bolsonarismos e a desonra ao ventre

Um manifesto de bruxaria política

Certa vez perguntei a deusa Astaroth qual é o papel da mulher em relação ao homem. Depois perguntei qual seria o papel do homem em relação a mulher.

Ela me respondeu, me revelou que o papel da mulher em relação ao homem é dar lhe a vida. E que o papel do homem em relação a mulher é honrar, ser digno desta dádiva enquanto viver. Honrar o ventre seria uma forma então de ser digno da vida recebida.
Se alguém honra o ventre encontra uma força interna capaz de o auxiliar nos momentos mais difíceis (Do I Ching – Hexagrama 48 – O poço). Se alguém honra o ventre encontra Ycohea. Ycohea é a deusa-mãe, são as águas menstruais e amnióticas primordiais, ou seja, é a água primordial que acolhe e faz desenvolver o mundo. De uma perspectiva cristã, Ycohea é a mãe de deus, a avó do universo, o ventre do mundo, o ovo cósmico.
“No princípio (…) a terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de deus pairava sobre as águas (menstruais primordiais)’.

Não existe outra maneira de encontrar Ycohea senão pelo ventre. O ventre é ao mesmo tempo o templo, o sigilo e a prece com a qual se comunica com a avó do universo. A avó do universo nada se pede, pois ela tudo oferece.

Aqui tem-se a atualização da ideia de virtude, pecado e as bases para uma espiritualidade centrada no feminino. Virtude seria a honra ao ventre e pecado seria a desonra ao ventre. Divido a humanidade em dois grupos: a) entre aqueles que honram o ventre e b) aqueles que ao longo da vida desonraram o ventre.
A estes últimos os tenho chamado de ‘pobres coitados’ (poor devils). A punição seria a desconexão com os princípios mais elevados, evidenciado pela presença da Torre que é uma intervenção divina.
Aos que passaram pela vida sem desonrar o ventre, poderíamos chamá-los de vitoriosos.

SOBRE OS ATOS VIOLENTOS CONTRA A MULHER

No caso, os atos violentos contra a mulher seriam um atentado ao ventre, às águas primordiais. E o bolsonarismo a expressão (micro) política dessa desonra. O bolsonarismo é por padrão a desonra, um atentando a deusa-mãe e ao sagrado feminino.
No entanto, aquele que desonra o ventre, desonrando a mulher e as águas primordiais tem sua capacidade de manifestação separada dos aspectos superiores.
Perde acesso às chaves da sabedoria divina, tem a sua sabedoria destruída (Hierofante e Torre) e terá que manifestar algo novo, começar novamente, redundantemente do início (Mago) por si só.
Aquele que é recorrente nestas atitudes, não se cansa de ver a Torre vir e estilhaçar a própria vida e o colocar na ruína reiteradas vezes.

Na imagem acima, O papa, A torre e o Mago. Ao desonrar o ventre, uma intervenção divina drástica aparece, arruina a vida da pessoa, separando a espiritualidade da capacidade de manifestação. Há uma ruptura, um empobrecimento espiritual.
No entanto, a estes últimos ainda é possível um recomeço. O que se aconselha é que devem principalmente encontrar uma maneira positiva de manifestar a sua raiva, de falar sua verdade para que sejam ouvidos. Recomenda-se que trabalhe com a servidora The protester por um tempo indeterminado.

Qual é a punição?

A desconexão total com os princípios divinos, mais elevados. Em alguns bolsonarismos a conexão com o eu superior, com o daemon interno é apenas confusa, nublada, a pessoa não consegue se orientar por princípios mais elevados. Esta pessoa não consegue perceber com nitidez a vontade de deus em sua vida.

Nos casos, onde há atos violentos contra a mulher, o fio que une, a interação entre estes aspectos mais superiores é violentamente rompida por decisão da divindade, por meio de uma intervenção divina (A torre é uma drástica intervenção divina e geralmente ocorre quando tudo o mais falha, quando algo passou dos limites). No oriente se refere ao rompimento do fio chamado sutratman que é um fio dourado que une a alma humana ao espírito divino. Por perder a conexão com estes aspectos superiores, o indivíduo fica totalmente desnorteado, é tomado por todo tipo de forças inferiores e perde a capacidade de manifestar o céu na terra (poor devils). No entanto, nada está perdido, ele ainda pode, embora ninguém saiba disso, o que deverá ser descoberto a duras penas, começar algo novo ou se esforçar, lutar para corrigir as injustiças sociais.

MINHA ORIENTAÇÃO

Se você é bolsonarista:

– Deve se esforçar para não involuir, se tornar um pobre diabo (poor devil). Em posts anteriores te explico como.

Se você se orienta por seus (micro) bolsonarismos não lhe faltará oportunidades de recomeçar sua vida. Se praticou atos violentos contra a mulher, há uma forte presença, uma dupla presença da Torre agindo em sua vida. E neste caso, o seu melhor caminho é:

– Aceitar que sua vida foi e está sendo constantemente dilacerada,
– Aceitar que não comunga mais com a divindade, apesar dos seus esforços, que o fio de sutratman foi rompido;
– Começar algo novo;
– Lutar contra as injustiças sociais,
– Buscar re-encontrar (não sei se é possível) seu papel na criação
– A redenção se dá no campo mágico-político

Existe algo de sério nisso tudo que as deusas e as bruxas tem tentado comunicar ao ser humano.
No entanto, há ouvidos muito insensíveis.

Enfim, este texto, mais que um alerta, é um manifesto de bruxaria política, um diagnóstico metafísico, uma thealogia da libertação mágica. Apresento uma thealogia onde o individuo é responsabilizado por suas escolhas micropolíticas ao mesmo tempo que oferece um caminho de reconstrução ética e espiritual por meio da ação no mundo. Ligo micropolítica, logicamente do cotidiano, a violência estrutural contra a mulher a uma ontologia espiritual centrada no feminino primordial. Seu mito fundacional confere ao ventre a condição de templo, sigilo e prece ao mesmo tempo e propõe uma nova cosmogonia onde a honra ao ventre seria o ato supremo de virtude.
Funciona como uma base para espiritualidades centradas na imanência da vida e por isso, contrapõe às espiritualidades transcendentais e abrâamicas que historicamente negaram e demonizaram o corpo e o feminino.
Correlato de pecado ocorre por meio da desonra ao ventre, onde o bolsonarismo seria uma manifestação política e micropolítica dessa desonra. As consequências são espirituais, psicológicas e o castigo seria a ruína, a destruição, a desconexão com aspectos superiores, a involução para a condição de poor devil, resultado de uma intevenção divina drástica (A torre).
E por fim, a redenção seria possível, porém árdua e somente no campo mágico-político, no esforço de correção de injustiças sociais.

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