Runa naudiz:
Pedi a Malphas (um daemon da Goetia) para que fosse revelado e exposto tudo aquilo que está prejudicando o desenvolvimento da cidade de Iporá e colocando-a em intenso sofrimento. E o que me foi revelado foi a existência de uma espécie de culto ao burro sendo desenvolvido na cidade e a necessidade de investigar seus efeitos energéticos, senão espirituais sobre a cidade. E para isso, consultei as runas nórdicas e esta foi a resposta:
Naudiz invertida, Wyrd e Hagalaz
Palavras-chave: carga, peso, sofrimento desnecessário, destino a partir do sofrimento e da escuridão. E por fim, granizada, colapso libertador. O culto ao burro evidencia sofrimento, destino determinado a partir deste sofrimento e libertação após o colapso total. O culto ao burro persistirá até o momento do colapso total da cidade. A libertação, a esperança retornará após o colapso quando enfim, será encerrado o culto ao burro. Há esperança depois de muito sofrimento. O culto ao burro trará tamanha drenagem de recursos que chegará um momento em que será impossível desenvolver até mesmo o próprio culto. Quando chegar este momento, haverá a libertação da cidade.
Profecia: O culto ao burro drenará os recursos da cidade a tal ponto que inviabilizará o próprio culto. Quando isto acontecer, virá um novo tempo, a esperança e o renascimento da cidade.
0 – Enfim, segundo o paradigma místico, Iporá está sob efeito de um encosto, de um parasita astral. Mas isso não é causa externa, pelo contrário está sendo criado, alimentado e fortificado pelos próprios cidadãos. Segundo a esquizoanálise trata-se de um desejo inconsciente de autoaniquilação. Exemplos de desejos de autoaniquilação: Pessoas antivacinas, pessoas negras racistas; pessoas que atiram lixo nos arredores da própria casa; praticantes de esportes radicais; pessoas que dirigem motocicletas em alta velocidade ou sem proteção. Enfim, Iporá está sendo comida viva e por dentro.
1 – Recomenda-se a retirada das estátuas do ídolo da entrada da cidade de Iporá, dos lares e de outros lugares onde estiverem. No entanto, isso dependerá da vontade do iporaense em se tornar animal de carga ou não. A quem interessa um símbolo de subordinação, humildade e trabalho?
Minha recomendação:
2 – Que os iporaenses, especialmente os iporaenses, pare de alimentar energeticamente a egrégora do burro
Naudiz é a mais negativa de todas as runas. Ela é o oposto da runa Sowelo que é uma das mais positivas. Ao passo que Naudiz representa escuridão, dificuldades, necessidade de esforço, de se submeter a uma situação, paciência, Sowelo representa o proṕrio sol, a vitalidade, a regeneração. E invertida, Naudiz representa tudo isso, mas em vão, representa um grande esforço desnecesário, um cansaço desnecessário, é representado por uma carga, um grande peso que se carrega nas costas, mas em vão e sem objetivo. É isso que representa o atual culto ao burro na cidade de Iporá. Nota-se que o burro e a mula são animais inférteis, estéreis, que se caracteriza por subordinação.
E por outro lado, os efeitos negativos estão em escolher e impor um símbolo de carga e de esterelidade para representar uma cidade. Com o tempo as pessoas e instituições internalizam isso e começam também a se tornar estéreis e a expressar de maneira estéril, o resultado só pode ser pobreza e aniquilação como anuncia a própria runa Naudiz invertida. Do mesmo modo ao colocar isso na entrada da cidade, pessoas das mais variadas partes do Brasil passam por ali, vê os burros e começam a emitir uma carga sobre a referida cidade e as pessoas da cidade, ou seja, começam a lincar as pessoas e a cidade a carga, a esterilidade e a sofrimento. E isso se intensifica quando se realizam passeatas, eventos, celebrações e investimentos de energia em torno da esterilidade do burro. Da mesma forma que Naudiz invertida significa peso desnecessário, o cultivo desta forma-pensamento, acaba gerando um servidor ou uma maldição que acaba transformando a cidade e as pessoas da cidade em animais de carga, passíveis de grande sofrimento e não obstante, estéreis. De tanto cultivar, gastar energia com uma ideia, ela acaba se tornando realidade. Há a possibilidade de encontrar um destino, um novo rumo com isso, mas um rumo determinado pelo sofrimento que sucederá ao colapso.
Burro de ouro
Me ocorreu que se pintasse o burro de amarelo, dourado ou de ouro as coisas pudessem mudar. Mas não. Saíram as runas Isa, Othala e Fehu invertida. Não sei qual seria pior. Isa fala de congelamento, esfriamento, para a vida sexual representa falta de tesão. Othala representa brigas e separações e Fehu invertida, em literalmente perdas financeiras, seja por prejuízos, perdas em jogos de azar, roubos etc. Enfim, o culto ao burro, mesmo que seja de ouro é bom para Iporá.
Necromancia social
Embora busque-se honrar uma certa ancestralidade, a fundação do culto está assentado numa espécie de necromancia social. Necro se refere a morto e mancia a magia. Portanto, o culto resgata algo do passado, que já se encontrava morto e ‘superado’, carregado de muita dor e sofrimento, principalmente, acaba resgatando a memória do sofrimento, os maus tratos infligido a estes animais. Portanto, o culto por meio de criação de estátuas e festividades além da subordinação, da esterelidade evoca este sofrimento. Do ponto de vista da análise do desejo e do discurso, quem impõe este tipo de culto, inconscientemente só deseja uma coisa: cidadãos servis e ajoelhados. Enfim, trata-se da estratégia de dominação de um povo por meio de um símbolo.

O que foi feito?
É tarefa inglória, algo como enxugar gelo, um tabalho de Sísifo. Pedi a Malphas que desvinculasse a egrégora do culto ao burro do duplo etérico de Iporá. Algo como um exorcismo. No entanto, a posterior alimentação da egrégora tende a efetuar a conexão novamente, talvez cada vez mais fraca. Então é importante que de tempos em tempos seja efetuado banimentos, banindo os efeitos do culto ao burro sobre a cidade de Iporá. Isso, é especialmente importante para que projetos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento da cidade possam colar e não serem drenadas pela referida egrégora.
Nota: Não tenho nada contra os animais, nada contra os burros e mulas, muito pelo contário. O que estou alertando aqui é sobre a cidade de Iporá se utilizar deste como um símbolo. Pode até ser mesmo que outras cidades possam fazê-lo sem problemas nenhum. Mas no caso de Iporá, segundo as runas, este símbolo é problemático.
E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um burro de fundição. Então disseram: Estes são os teus deuses, ó Iporá, que te tiraram da terra da opressão e da pobreza. E eis que ficaram estéreis, sem tesão, não mais procuravam a vossas esposas e em discórdia, ainda mais pobres. E o suor do povo tornou-se nada, pois o que adoravam não gerava fruto, apenas consumia a esperança; e a cidade, outrora fértil, curvou-se diante do ídolo de carga, que nem anda nem produz, apenas mantém o jugo sobre o pescoço da cidade, selando o destino daquele que busca colheita onde só existe o peso do atraso. E por aqueles dias suas dívidas foram aumentando, a cidade tomada pela escuridão e pelo cheiro das fezes que queimava dia e noite e sufocava a todos em densas nuvens de fumaça.

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